segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Recebi um email de um amigo, o procurador e poeta Renato Pinto.
Ele me enviou um texto do Ancelmo Gois, falando da importância do alto-falante, nessa era tão moderna. rsrs
Veja um trecho do texto do Ancelmo:
"Como se sabe, na cidade serrana de Areal, minutos antes do aguaceiro que devastou tudo, um carro de som avisou às pessoas para saírem, pois a catástrofe estava a caminho. Enquanto isso, em bairros elegantes das vizinhas Nova Friburgo e Teresópolis, debaixo d’água, os telefones ficaram mudos, iPhones viraram simples brinquedos para jogar, computadores, sem conexão, tornaram-se trambolhos obsoletos e, na falta de energia, não havia nem TV. Não foi à toa que a prefeitura do Rio anunciou, semana passada, a instalação de 60 sirenes e alto-falantes em locais de risco para alertar a população em caso de temporal."
Li e me lembrei, no ato, do alto-falante, da rádio poste da minha terra, Mossâmedes.
Achei o texto do meu email, engraçado, e resolvi postar aqui.
Vamos: 


Pois é, Renato, em Mossâmedes tinha essa rádio poste.

Era massa!
Um dia anunciaram: "Carlos Antonio Brandão, ganhou um requeijão".
Eu havia ganho um requeijão, numa rifa e, a única maneira de me comunicar e comunicar TODA a cidade, era através da rádio poste, do alto-falante.
Isso me traumatizou profundamente.. rsrs
Resultado do trauma: Nunca mais ganhei nada em bingo, loteria, rifa, megasena, nada.
Incrível como essa praga e esse trauma me perseguem.. hehe
Quando os Beatles lançaram seus primeiros compactos, o Divino, meu irmão mais velho, que estudava em Goiânia, comprou um compacto simples e um duplo da banda inglesa.
Nas férias ele foi pra Mossâmedes e levou os tais discos.
Achei massa, ouvir aquela música "estranha" e profundamente contagiante, na rádio poste da minha terra.
Era uma novidade e o alcance dessa novidade a gente nem podia prever.
Anos depois, em 1967, já em Goiânia, eu fui estudar no Colégio Emmanuel.
Cheguei no pátio e a rádio poste do colégio tocava Eleanor Rigby .
Achei o som mais lindo que eu já tinha ouvido na terra e comecei a chorar no pátio do Emmanuel, de pura emoção, por ser apresentado, pela rádio poste, a uma canção tão linda, um som verdadeiramente novo para meus ouvidos de menino da roça.
Nunca mais esqueci eleanor rigby.
Nunca mais consegui desvencilhar minha vida musical, do som dos Beatles.
Hoje, os considero clássicos e acho que daqui 50 anos, teremos orquestras sinfônicas tocando Beatles, como se toca, hoje, por exemplo, Bach.
Desculpa a comparação. rsrs. Mas acho Beatles e Michael Jackson, futuros clássicos.
Pois é essa a minha ligação, ou parte da minha ligação com a rádio poste.
Tudo que sei de letra de música e de canções antigas, ouvi na rádio poste de Mossâmedes, ou ouvi minha mãe cantando. Ela trabalhava e deixava o rádio ligado na Tupi, Nacional e outras emissoras da época.
Minha mãe adorava música e tinha um carinho com as letras, com as palavras.
Aprendi a gostar das palavras, com dona Matilde.
É isso aí, Renato.
Você veio me falar de rádio poste, de alto-falante, e eu acabei fazendo esse rosário, essa ladaínha em forma de memória.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Achei esse poema em velhos guardados.
É do jornalista e amigo Rodrigo França Carvalho e foi escrito quando a gente trabalhava no Diário da Manhã, um jornaleco aí.
Ah, naquele tempo o DM já atrasava e muito o salário dos seus jornalistas.
O Rodrigo foi demitido por fazer greve.
Eu também fui, uns 3 anos depois. rsrs
Cobrar salário, no DM, é crime.
E greve é pé de briga e não um ato e um direito democrático.
Ma eu falava do poema.
Posto ele aqui pela lembrança de um grande amigo que anda sumido pra carai.

"Somente um círculo
um concêntrico círculo
em direção: uma pedra
dentro do lago ou do mar
uniformemente seguindo
rastros? Xá pra lá!
Sem querer dizer: dizendo.
Sem querer olhar: olhando.
Apenas brando.
Brando? De novo, brando
Palavras...
O pacato se emudece.
Pacato? Pacato o quê?
Pacatuquê?!
Gargalhadas... trovões motivadores
espalhando do nada
Lá vai o rio
Lá vai o círculo
Lá vai o Brandão
Sem nenhum planejamento prévio.
É jardineiro?
Quem disse que não?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Alguém me escreva um post, pra esse blog abandonado.
Tadin.
Alguém tenha dó dum brandão analfa que nem consegue escrever besteiras.
Tadin de mim.
Tadin do Toninho.
Pra quem não sabe, meu nome é Toninho.
Que vem de Carlos Antônio Brandão.
Antônio = Toninho.
Assim como Francisco = Chico.
Carlos Brandão é só o nome artístico dum pseudo artista.
O nome real é esse: Toninho.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Eu fiz "Uma Canção" com o Flávio Dell'Isola.
Já postei aqui, acho que em setembro.
Agora fiz "Outra Canção", com o Fernando Perillo.
Eu sou o rei das canções.. rsrsr



Outra Canção
Nosso tempo é de amantes
duas vidas e, a vida,
é o que a gente merece.

Nós pisando as estradas
e os sorrisos se abrindo
como quem nos conhece.

Nós, cansados, paramos,
um abraço nos damos
(deus inventa uma prece):
seu olhar puro sono
seu olhar dorminhoco
seu olhar adormece.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Que medo!!! (se possível, samba)

Eu vi o saci na poeira
cabreira ficou a cidade
com medo do moço negrinho
sem perna
de gorro vermelho
que medo!

Eu vi a mula sem cabeça
avessa cabaça, cabrocha
silêncio, que o mundo se acaba
da mula maluca, malandra, malvada
Que medo!!

Eu vi o fantasma da ópera
tenores tremiam seus dedos
carreras, plácido, pavarotti
vibratos, soluços, gagueiras
Que medo!!!
Que medo!!!
Dois ratos

Camundongos de laboratório
nós dois na pior das paradas
testados, torturas, polícias
nos dois no pior dos silêncios.

Dois ratos no cio, fugindo,
querendo gozar, mas com medo
com pedro, com pedras, contudo
nós dois no pior dos degredos.

Dois ratos
dois atos
dois mundos
no fundo, o mundo é sujeira
Dois ratos
dois fatos
profundos
no fundo o mundo é besteira.
Tem um tempo aí, que o Dênio de Paula me pediu um texto para ser publicado no encarte do CD Radiografia, disco que traria uma coletânea de novos (???) artistas locais.
Fiz o barato e enviei ao Dênio. Para escrever o texto, me vali de um CD que o produtor me enviou, gravado no estúdio Tambor. Uma demo.
Agora, estou vendo na net, a divulgação de lançamento da tal Radiografia e fiquei feliz por ver no CD, gente que admiro pra caralho e de quem sou fã incondicional.
Tem muita coisa bacana no álbum e penso que o Dênio foi feliz nessa idéia e na seleção dos artistas.
Pretocorespreto me surpreendeu. A banda do meu amigo Zé (que na época do Martim era um moleque.. rsrs), tá massa. O vocalista tem uma voz interessante.
Ton Só eu nem falo, porque acho esse garoto uma das melhores novidades sonoras dessa terra. Eu falo sempre que a Monstro ou a Fósforo precisam "descobrir" o Ton, assim como demoraram a descobrir Diego de Moares.
Diego de Moares e Kleuber Garcês criaram a Pó de Ser. E o Dênio deu trela. Sou puxa-saco dos 2. Nem precisa falar nada.
Gustavo de Carvalho é, para mim, um artista pronto. Falo isso desde os tempos da banda Funbox, que tinha o Gustavinho como vocalista. Acho esse moleque uma das melhores presenças de palco disso que chamam  rock feito em Goiás. Além da presença, canta e compõe pra caralho. Se eu fosse produtor, já tava com esse cara no meu cast, há tempos. A canção que o Gustavo mostra nessa Radiografia, se lançada comercialmente, tem chances de rodar pra caralho por aí. Falta um clip bem feito com essa canção, pra jogar no youtube.
Tem mais gente: Space Truck, Super Super, Balta, Zé Teles, etc, etc, etc.
Tem até o "tio" Tonzêra e o tio Dênio, no meio da molecada.
Radiografia é, com certeza, uma das melhores sacadas fonográficas de Goiás.
Tá na hora da gente aprender a ouvir, além dos velhos e consagrados artistas, essas caras novas interessantes  e donas de um trabalho no mínimo instigante.
Os "moleques" de Gyn mostram, mais uma vez, que são bons e tem muito a falar.
Tenho dito isso há tempos e falo de novo: se liguem nessa molecada. O que tem de novo nessa terra, musicalmente falando, passa pelos "novos".
Faltou nessa radiografia, um cara e uma banda: Goiaba, baixista da excelente banda Gloom. Esse Goiaba é um talento pronto. E faltou a banda Gloom.
Mas tá de bom tamanho.